Transferência dos últimos 14 pacientes para residências terapêuticas marca novo capítulo da luta antimanicomial em Minas Gerais
O antigo Hospital Colônia de Barbacena viveu nessa segunda-feira (18) um momento considerado histórico para a política de saúde mental no Brasil. Os últimos 14 pacientes internados de forma permanente na unidade foram transferidos para residências terapêuticas em Barbacena.
A medida encerra décadas de internações prolongadas no espaço que se tornou conhecido nacionalmente pelas denúncias de violações de direitos humanos e pelas condições degradantes enfrentadas por milhares de pessoas ao longo do século passado.
O ato simbólico reuniu antigos militantes da luta antimanicomial, autoridades públicas e sobreviventes do manicômio, que atualmente vivem em 22 residências terapêuticas distribuídas pela cidade.
Memória, reparação e cuidado humanizado
Durante a cerimônia, ex-internos compartilharam relatos sobre o período em que viveram no Hospital Colônia, marcado por abandono, superlotação e exclusão social.
Hoje, o local abriga o Complexo Hospitalar de Barbacena, estrutura voltada ao atendimento regional em saúde. A unidade conta com leitos psiquiátricos de curta permanência, centros de terapia intensiva (CTIs) e serviços especializados.
Segundo a direção do complexo, o atual modelo prioriza atendimento humanizado, reinserção social e integração com a rede pública de saúde mental.
