Eduardo Bolsonaro sugere trocar Pix por sistema dos EUA em negociação comercial

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro aparece sentado atrás de uma mesa, usando terno azul e gravata. Ele fala ao microfone durante uma audiência ou reunião. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Ex-deputado federal, que teve mandato cassado, defendeu incluir sistema de pagamentos brasileiro em tratativas comerciais com os Estados Unidos

O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil poderia utilizar o Pix como um dos temas de negociação com os Estados Unidos diante das recentes tensões comerciais provocadas pelos EUA. A declaração foi dada durante entrevista ao portal TMC News nessa quarta-feira (3).

Segundo Eduardo, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos poderia ser discutido em uma eventual mesa de negociações com o governo norte-americano, que recentemente concluiu uma investigação comercial envolvendo práticas adotadas pelo Brasil.

Pix, Zelle e negociações comerciais

Durante a entrevista, o parlamentar citou o Zelle, plataforma de pagamentos utilizada nos Estados Unidos, como um sistema semelhante ao Pix.

“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, disse Eduardo.

Ele também mencionou a possibilidade de incluir outros ativos estratégicos brasileiros nas conversas com os norte-americanos.

“Dá pra botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação sobre qualquer meio de pagamento que a gente utiliza aqui“, declarou ao mencionar recursos minerais como terras raras e manganês.

Investigação dos Estados Unidos

As declarações ocorreram após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O órgão sugeriu a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo mercado norte-americano.

Entre os argumentos apresentados pelo USTR está a alegação de que determinadas políticas brasileiras de pagamentos eletrônicos poderiam prejudicar empresas dos Estados Unidos que atuam no setor de serviços financeiros e comércio digital.

Especialistas avaliam, entretanto, que a popularização do Pix reduziu significativamente o uso de meios tradicionais de pagamento operados por grandes empresas internacionais, como Visa e Mastercard, fator apontado por analistas como possível elemento de proteção comercial.

Diferenças entre Pix e Zelle

Embora sejam sistemas voltados para transferências financeiras digitais, Pix e Zelle apresentam diferenças importantes.

Criado pelo Banco Central do Brasil, o Pix permite transferências instantâneas entre instituições financeiras participantes, funcionando 24 horas por dia. Já o Zelle opera por meio de bancos norte-americanos participantes e possui alcance mais restrito.

Além disso, enquanto o Pix é amplamente utilizado em todo o sistema financeiro brasileiro, o Zelle não está disponível em todas as instituições bancárias dos Estados Unidos e pode demandar mais tempo para a confirmação das operações.

Aproximação de filhos de Bolsonaro com Trump

A discussão ocorre poucos dias após a visita de Eduardo Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao presidente norte-americano Donald Trump nos Estados Unidos. A proposta de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros foi anunciada posteriormente pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o que gerou repercussão no cenário político brasileiro. Governistas passaram a associar a medida à aproximação dos integrantes da família Bolsonaro com Trump, enquanto aliados do senador negam qualquer relação entre a visita e a decisão comercial, destacando que a investigação do USTR teve início anteriormente.

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