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Entre a Copa e a guerra, o esporte testa seus próprios limites éticos

Análise aponta dilemas éticos envolvendo Fifa, guerras internacionais e a realização da Copa de 2026

Em artigo publicado pelo O Globo, o jornalista Marcelo Barreto analisa os impactos geopolíticos no esporte internacional às vésperas da Copa do Mundo de 2026, que será sediada majoritariamente nos Estados Unidos, com México e Canadá como coadjuvantes. A competição acontece em seis meses, sem a presença da Venezuela, e não enfrenta entraves logísticos, mas pode esbarrar em dilemas políticos e éticos.

O texto aponta que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, mantém proximidade política com Donald Trump, o que reforça a percepção de tolerância institucional a ações militares norte-americanas, frequentemente classificadas como “intervenções para manter a ordem”. Segundo Barreto, esse discurso não é estranho a dirigentes esportivos que já defenderam decisões controversas, como sedes de grandes eventos em países com restrições a direitos.

Para o Comitê Olímpico Internacional (COI), o cenário expõe um impasse ético: se uma eventual ação militar dos EUA for caracterizada como guerra de invasão, como diferenciá-la do caso da Rússia na Ucrânia? A agressão russa levou ao banimento olímpico, decisão que influenciou outras entidades esportivas, inclusive a Fifa.

O artigo lembra que ataques recentes dos EUA ao Irã não resultaram em sanções esportivas, reforçando a tradição do país de atuar como “polícia do mundo” sem sofrer punições nesse campo. Para que houvesse uma medida semelhante à aplicada aos russos, seria necessário, por exemplo, retirar de Los Angeles a sede dos Jogos Olímpicos de 2028 — uma hipótese considerada inédita e praticamente inviável do ponto de vista político, logístico e financeiro.

Foto: Pixabay