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OPINIÃO: Até para repudiar o racismo houve voto contra na Câmara

Moção de solidariedade à vítima foi aprovada, mas três vereadores rejeitaram o texto

A Câmara Municipal aprovou, nesta semana, uma moção de repúdio ao episódio de injúria racial sofrido pela servidora pública Jamilly Jully dos Santos Felipe. O texto, apresentado pela vereadora Maria do Sagrado (PT), condena as ofensas racistas dirigidas à vítima, reforçando que esse tipo de conduta configura crime e fere princípios constitucionais básicos.

Segundo o registro policial, as ofensas ocorreram no dia 25 de janeiro, depois que a vítima comentou uma publicação de cunho político no Instagram. As mensagens, enviadas de forma privada, continham xingamentos de caráter racista.

A moção foi aprovada por 11 votos favoráveis, mas três vereadores decidiram se posicionar contra: Zuza do Socorro (Avante), Sinval da Luzitana (PL) e Dr. Sidney Bernabé (PL). O resultado, embora garantisse a aprovação, expôs um contraste que merece reflexão.

Moções de repúdio são instrumentos simbólicos. Não condenam ninguém judicialmente, não geram multas, não prendem pessoas. Servem apenas para que o poder público diga, de forma clara: “isso é errado”. É o mínimo que se espera de qualquer instituição que se diz comprometida com o respeito e a dignidade humana.

Ainda assim, houve quem votasse contra. Um dos vereadores, Zuza do Socorro, afirmou que não estava ciente do caso. Em tempos de acesso instantâneo à informação, parece que a pauta não chegou ao gabinete ou não foi considerada prioridade.

Os outros dois votos contrários soam ainda mais estranhos. Em um país construído por gente trabalhadora, marcada por diversidade e por desigualdades históricas, negar apoio a uma vítima de ofensas racistas parece um gesto desconectado da realidade sócio-histórica que os próprios vereadores dizem representar.

Não se tratava de um projeto polêmico, nem de um debate ideológico complexo. Era uma manifestação de solidariedade a uma mulher vítima de injúria racial, conduta que a própria legislação brasileira classifica como crime grave.

Talvez, para alguns, o combate ao racismo ainda pareça um tema distante, teórico ou “de outro lugar”. O problema é que o caso aconteceu aqui, com uma moradora do município, e foi amplamente noticiado.

Foto: Divulgação/CMJM